Cerca de mil homens de Erechim enfrentam o câncer de próstata

Os dados foram citados pelos diretores do Centro Hospitalar Santa Mônica, os médicos urologistas, Antônio Todeschini e Dércio Nonemacher, durante entrevista ao Bom Dia, na manhã de ontem (7). Os especialistas lembraram que campanhas, tais como o ‘Novembro Azul’, iniciaram na Austrália e se espalharam pelo mundo. No entanto, independente do período do ano, sempre vale o alerta para a prevenção e cuidado da saúde.

Todeschini salientou que o câncer de próstata é a segunda neoplasia mais frequente no homem,
ficando atrás, somente, do câncer de pele não melanoma. Contudo, é fundamental ressaltar
que é possível prevenir e curar esses pacientes. “Se o paciente tiver 40 anos e uma história familiar de câncer de próstata, ao consultar um urologista será iniciada uma investigação já a partir dessa faixa etária. Caso contrário, começamos a partir de 45 anos. Isso é feito por meio de um exame digital da próstata, mais conhecido como toque retal e exame de PSA livre e total. Assim é possível saber se deve haver a continuidade da investigação para o câncer de próstata”,
explicou.
O especialista pontua que, se o paciente tiver um PSA aumentado e um toque retal suspeito, se
parte para um novo exame, uma ressonância magnética multiparamétrica de próstata e pelve. Se
nesse mesmo exame houver alguma sinalização para a doença, se encaminha uma biópsia, onde
é feita uma ecografia transretal.
Caso esse exame confirmar um câncer de próstata, haverá uma graduação (sistema de Gleason)
para saber sobre a agressividade do tumor.
Na sequência, vem a fase de tratamento, que pode ser desde uma observação, uma cirurgia radical da próstata ou radioterapia.

Estatísticas locais
Durante a conversa, Nonemacher comentou que, baseado em estatísticas mundiais e informações locais, é possível dizer que cerca de 2% dos homens erechinenses, tem câncer de próstata. “Com base em pouco mais de 100 mil habitantes, destes, aproximadamente,
50 mil homens, em torno de mil enfrenta a doença”, acrescentou.
No município, durante todo o mês, está sendo realizada uma campanha nas Unidades Básicas
de Saúde em que é coletado o PSA dos homens a partir de 50 anos de idade.
“Todos os anos são realizadas campanhas com o propósito da prevenção e o Santa Mônica foi pioneiro nas atividades, por meios de palestras nas regiões, para seguir a orientação da Sociedade Brasileira de Urologia, a qual nós dois pertencemos, e discutir: como fazer a prevenção do câncer de próstata”, frisou o especialista.

Vantagens da prevenção
Como o câncer de próstata é uma doença de crescimento lento, pode levar de cinco a 12 anos para surgir sintomas como: jato urinário fino, vontade de urinar muitas vezes à noite, necessidade de fazer força para urinar, e as vezes pode aparecer sangue na urina e no esperma.
Todos esses podem ser sinais de um quadro obstrutivo da próstata. Mas a questão é: maligno
ou benigno? Nesse momento é que é avaliada a dosagem do PSA. “Se for abaixo de 2,5 é considerado normal. Reforçamos que a partir dos 50 anos é recomendada uma consulta anual para realização dos exames”, alertou.

Alerta e prevenção
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) sinaliza que no ano de 2020 podem surgir em torno de
68 mil novos casos de câncer de próstata. “A doença se equivale muito ao câncer de mama na mulher, sendo que o Instituto prevê 62 mil novos casos da doença no público feminino”, citou.
Entre as formas de prevenção das mais diferentes doenças, a base é manter uma boa qualidade
de vida, com alimentação equilibrada, exercícios periódicos, não fumar e beber socialmente.
“A alimentação saudável significa não ser obeso. A obesidade mórbida vem crescendo muito, haja visto que nos países mais ricos do mundo, a incidência de câncer de próstata é muito
expressiva. Nesse sentido, há de se considerar uma alimentação muito rica em produtos de origem animal”, exemplificou Nonemacher.
Por isso, o aconselhável é reduzir esse tipo de alimento, aumentar o consumo de fibras, a
prática de exercícios e diminuir a dose de açúcar. “O sal e o açúcar são dois vilões: o primeiro
porque aumenta a pressão e o segundo porque engorda”, esclareceu o médico.
Neste cenário, a principal dica é: mantenha um peso aceitável e evite exageros. “Por exemplo, se
o homem tiver 1,80, o ideal é que tenha 88 quilos no máximo. Se ele tem 1,70 deve ter 77 quilos no máximo. Caso essa mesma pessoa tiver 110 quilos, por exemplo, tem grandes chances de desenvolver problemas como: tumor de próstata, alteração nas atividades cerebrais, cardíacas”.
Todeschini e Nonemacher destacaram, ainda, que os Estados Unidos, por exemplo, apresentam
as incidências mais expressivas de câncer de próstata, principalmente em razão da má alimentação. “Ao mesmo tempo, eles levam a medicina muito a sério, promovem muitos estudos
e divulgam estatísticas. Em paralelo, nos estados do RS, SC, PR e SP, é perceptível que a população possui uma alimentação muito parecida com os americanos e desenvolve um trabalho, também semelhante, no campo da Medicina, envolvendo toda a assistência na área, diagnóstico e tratamentos sofisticados, com equipamentos de última geração, além, é claro, de profissionais capacitados. Os urologistas da região possuem no mínimo cinco anos de residência ou décadas de experiência”, completaram.
Quanto aos tabus na busca pelo atendimento, os especialistas reforçaram que muitos já foram
superados pelo público masculino e hoje em dia já tem até brincadeiras sobre a ida ao médico e a realização dos exames.

Fica a dica!
“O melhor capital que você tem é a sua saúde. As pessoas devem valorizá-la cada vez mais.
Algumas pessoas só começam a fazer isso quando estão prestes a perdê-la. Por isso, manter o bem-estar deve ser uma prioridade”, ressaltaram os médicos.

Matéria retirada do Jornal Bom Dia, 08/11/2019.

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