Mês de alerta para hábito que pode se transformar em doença

O oftalmologista, André Hermes Agnoletto, explica que ceratocone é uma doença multifatorial em que considera a predisposição genética e, ainda, o fator ambiental que é o ato de coçar os olhos com muita frequência. Ele afirma, ainda, que há muitos casos na região

Você costuma coçar os olhos com muita frequência? Se a resposta for sim, reforce o cuidado para prevenir um problema não muito comentado, porém, que acomete muitas pessoas na região Alto Uruguai: o ceratocone.

Com o intuito de chamar a atenção sobre o assunto e esclarecer a sociedade sobre os riscos, formas de prevenção e tratamento da doença, foi criada a campanha Junho Roxo. Para explicar melhor sobre o ceratocone, a reportagem do Bom Dia conversou com o médico oftalmologista de Erechim, André Hermes Agnoletto.

Segundo o especialista, trata-se de uma alteração que acontece na córnea, a primeira camada do olho. Ela é transparente, não é possível enxergar o que acontece nela, mas é responsável pela visão, como se fosse a primeira lente.

Um paciente com ceratocone tem uma córnea mais pontiaguda. Para exemplificar melhor, André fez uma analogia entre uma bola de futebol e uma de futebol americano, sendo que a primeira seria o formato da córnea de uma pessoa sem a doença. “No ceratocone, considerando o formato mais afinado da córnea, o óculos muitas vezes não é a solução. Contudo, em um número expressivo de pacientes, ele vai ajudar. Nesse sentido, o ideal seriam outros tratamentos, tais como: lente de contato (funciona como uma “córnea normal” colocada em cima da que tem problema)”, comenta.

Fatores relacionados a doença

Conforme o oftalmologista, o ceratocone é uma doença multifatorial, por isso há de se considerar a predisposição genética e, ainda, o fator ambiental que é o ato de coçar os olhos com muita frequência, visto que é uma região muito sensível.

Consequências

Como consequências agudas estão as denominadas cegueiras momentâneas – ruptura de uma das camadas da córnea; e, à longo prazo, o principal risco é cegueira definitiva. Nesse caso não adianta colocar lente de contato e fazer a cirurgia à laser. A única solução seria o transplante de córnea.

Faixa etária

André pontua que, comumente, o diagnóstico é feito entre os jovens de 15 a 20 anos. Porém, há situações em que o ceratocone pode surgir por volta dos sete anos; e ainda, em outras, na faixa dos 40 anos, quando as pessoas vão fazer o teste para renovar a Carteira Nacional de Habilitação, por exemplo, e percebem algumas dificuldades.

Sinais de alerta

“Entre os sintomas da doença está a baixa de visão (que pode ser aguda ou lenta). Por isso, a doença pode ser confundida com outros problemas, tais como a miopia. Há muitos pacientes que passam por exames de triagem que detectam uma chance de ter ceratocone e, com isso, é solicitado um exame específico para confirmar ou não o diagnóstico”, observa o médico.

Tratamento

No caso dos pacientes que tem muita coceira nos olhos, André cita que é recomendado um colírio antialérgico e outro lubrificante para limpar, evitar a coceira e tratar. “Há relatos de pais de alguns adolescentes, que afirmam ter observado os filhos coçarem os olhos, até mesmo dormindo. Isso é outro agravante”, acrescenta.

O especialista enfatiza que, se a doença está em um ponto de evolução, são mantidas as medidas citadas anteriormente e acrescenta-se a lente de contato rígida – que geralmente é a que mais se adapta, ou um procedimento cirúrgico por meio de laser, com o intuito de estabilizar o ceratocone. “Há uma faixa etária que funciona (dos 15 aos 30 anos), porém, não é indicado para todos os casos. Também há o anel intracorneano e, por último, o transplante de córnea”, explica.

Incidência na região

Ele enfatiza que na região há muitos casos de ceratocone. “Um dos motivos é que a região possui expressiva incidência de alergias, talvez em razão do pólen das plantas, das lavouras, entre outros fatores que podem influenciar. Com isso, muitas pessoas tem o hábito de coçar os olhos e, com o passar do tempo, isso pode causar alguns problemas. Sendo assim, vale o alerta para sinais como: coceira no olho, visão embaçada, diferença na visão de um olho para o outro, confusão nas cores, sensibilidade à luz”, orienta.

Matéria Retirada do Jornal Bom Dia, 06/06/2020.

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