Semana Mundial do Glaucoma: doença pode levar à perda da visão

Especialista de Erechim, André Agnoletto, reforça que o Alto Uruguai registra alguns casos da doença, e é fundamental ficar atento a alguns cuidados para evitar complicações

Este é um período especialmente voltado à conscientização sobre uma doença ocular. Isso porque de 8 a 14 de março é comemorada a Semana Mundial do Glaucoma. A iniciativa é da Associação Mundial de Glaucoma e tem o objetivo de alertar a população sobre os riscos que ele causa à visão.

O médico oftalmologista de Erechim, especialista em Glaucoma, André Agnoletto, reforça que o Alto Uruguai registra alguns casos e é fundamental ficar atento a alguns cuidados para evitar complicações. “Trata-se de uma doença que afeta o nervo óptico e pode levar à perda da visão. Costuma se relacionar à pressão do olho, sendo que alguns pacientes apresentam elevação. Para aferir, é somente no consultório, não há como fazer isso em casa. Por isso, a importância de haver uma semana para fazer esse alerta e explicar o que é a doença e, principalmente, a importância de fazer um acompanhamento médico de rotina”, ressalta.

Há sintomas?

André assinala que principal problema do Glaucoma é que ele ocorre sem a manifestação de sintomas perceptíveis. “Muitas vezes o pacientes está com uma visão boa, sem dor, não há vermelhidão e nem qualquer outro sinal que remeta à doença. Por isso que só é possível ver em uma consulta”, pontua.

De acordo com o especialista, muitas vezes o paciente enxerga muito bem as letras pequenas, mas não visualiza um caminhão passando ao lado, por exemplo. Ele perde esse campo lateral e fica somente a visão central.

Incidência e tipos de glaucoma

A incidência em pessoas de raça branca, com descendência europeia, é menor (de 2,5% a 5%). Sendo assim, o glaucoma é mais comum em pessoas da raça negra (pode chegar a 8%). “Na região há alguns casos e, em muitos deles, as pessoas já passaram em consultas anteriores, por exemplo, fizeram exames, mas não foi orientado que deveriam retornar e fazer o acompanhamento”, alerta.

O médico comenta que há diversos tipos de glaucoma, sendo que o mais comum é o de ângulo aberto, o qual tende a ser hereditário. “É muito raro em crianças e adolescentes, porém é muito comum em pessoas a partir dos 50 anos. Aquelas que já usam óculos, por vezes acabam sendo relapsas quanto ao retorno a cada dois anos”, acrescenta.

Alerta

Na opinião do especialista, como não há uma campanha específica ao glaucoma, muitas vezes é um problema que acaba passando despercebido pela saúde pública. “A doença é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A catarata, por exemplo, é a principal causa, porém, com a cirurgia é possível reverter o quadro. Por isso, a importância de fazer consultas. Hoje em dia, os exames são muito melhores na identificação de fatores de risco, são precisos e conseguem identificar alterações, até mesmo antes de eles enfrentarem perdas referentes à doença. Isso possibilita tratamentos muito eficientes, de forma antecipada”, orienta, citando ainda, que a prevalência na região tende a aumentar. Mais um motivo para se antecipar em tempo de realizar um tratamento.

Tratamento

Após o diagnóstico, é possível definir qual a melhor forma de tratamento, conforme o grau do glaucoma. Entre as possibilidades está o colírio para baixar a pressão do olho, estabilizar a doença e evitar uma perda maior do campo visual. No entanto, há outros casos em que é necessária cirurgia (diferentes tipos).

Dependendo do tipo, pode atingir um olho ou até mesmo os dois ao mesmo tempo.

Sensibilidade

O especialista destaca que muitos artistas usam frequentemente óculos escuros, inclusive quando se apresentam, tais como Bono Vox, que é portador de glaucoma. Isso acontece em razão da sensibilidade à luz. Nesse sentido, muito além da questão estética, a escolha do adereço é para amenizar a fotofobia.

Fatores de risco associados ao glaucoma

– pressão intraocular elevada;

– idade acima de 50 anos;

– miopia elevada;

– negros são mais propensos a desenvolver glaucoma do que pessoas caucasianas, asiáticas e latinas;

– histórico familiar de glaucoma pode elevar as chances de um indivíduo desenvolver a doença também.

Matéria Retirada do Jornal Bom Dia, 13/03/2020.

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