TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

1. O que é terapia cognitiva-comportamental (TCC)?

A TCC surgiu no final da década de 1960, quando Beck dedicou-se a uma série de experimentos para validar a terapia psicanalítica no tratamento da depressão, no entanto, os resultados dos experimentos apontaram que esta terapia não era eficaz para pacientes com depressão, isso levou Beck a buscar outras explicações para a depressão. Ele identificou cognições negativas e distorcidas (principalmente pensamentos e crenças) como característica primária da depressão, então ele desenvolveu um tratamento de curta duração, no qual um dos objetivos principais era o teste da realidade do pensamento depressivo do paciente, a qual denominou originalmente “Terapia Cognitiva”.

Atualmente, Terapia cognitiva é uma das poucas formas de psicoterapia que foi cientificamente testada e vista como efetiva. Ela tem sido amplamente testada desde que foram publicados os primeiros estudos científicos, em 1977. Até o momento, mais de 500 estudos científicos demonstraram a eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental para uma ampla gama de transtornos psiquiátricos, problemas psicológicos e problemas médicos com componentes psicológicos, uma lista completa pode ser encontrada em www.beckinstitute.org. Centenas de estudos científicos também validaram o modelo cognitivo da depressão e da ansiedade.

2. Que teoria está por trás da Terapia Cognitiva-Comportamental?

A TCC está baseada no modelo cognitivo: O modo como às pessoas percebem e interpretam suas experiências determina as emoções e os comportamentos frente a elas. Por exemplo, uma pessoa que leia este texto poderia pensar: “Uaul, isto parece bom, é justamente o que eu sempre procurei!”, e sentir-se-ia feliz e motivada. Outra pessoa lendo o mesmo texto poderia pensar: “Bem, isto parece bom, mas não sinto que possa fazê-lo!”, provavelmente, sentir-se-ia triste e desencorajada. Então, não é a situação que diretamente afeta como uma pessoa sente-se emocionalmente ou se comporta, mas sim, os pensamentos desencadeados por ela. Quando as pessoas estão em estresse, elas freqüentemente não pensam claramente e seus pensamentos ficam distorcidos de certa maneira. A Terapia Cognitivo-Comportamental ensina habilidades para as pessoas identificarem seus pensamentos distorcidos e avaliarem quão realísticos eles são e, por fim, encontrar modos alternativos de pensar. Quando elas pensam mais realisticamente, elas se sentem melhor e tomam decisões mais apropriadas. Ainda, a TCC se apóia também no modelo comportamental de aprendizados como: o condicionamento clássico em que a pessoa experimenta emoções desagradáveis em determinadas situações por ter condicionado tais emoções a elas, as quais se mantêm devido ao comportamento de evitação; o condicionamento operante em que os comportamentos aprendidos aumentam a probabilidade de ocorrer de acordo com os reforçadores do ambiente e o aprendizado por observação.

A TCC utiliza ainda de técnicas específicas para redução da ansiedade, resolução de problemas e maior eficácia nos relacionamentos interpessoais.

3. Como estar pronto para fazer a TCC?

Primeiro passo importante é estabelecer metas. Pense quais sintomas vem incomodando você e quais você gostaria de aliviar ou eliminar? Pergunte-se: “Como eu gostaria de estar diferente ao término da terapia?”. Pense especificamente sobre mudanças que você gostaria de fazer no trabalho, faculdade, em casa, no seu relacionamento com a família, amigos, colegas de trabalho, e outros. Pense sobre outras áreas que gostaria de melhorar em sua vida: possuir interesses espirituais/intelectuais/culturais, fazer exercícios, diminuir maus hábitos, aprender novas habilidades interpessoais, melhorar manejo de habilidades no trabalho e em casa. Pense na sua vida hoje e como você desejaria que ela fosse? Quais fatos estão impedindo de sua vida ser como você gostaria que fosse? Quais você gostaria de modificar com a terapia?

O terapeuta lhe ajudará a avaliar e refinar estas metas, juntos, vocês podem determinar quais metas você poderia trabalhar sozinho e quais você poderia querer trabalhar em terapia.

4. Quanto tempo dura a terapia?

A não ser por restrições práticas, a decisão a respeito de duração do tratamento é feita cooperativamente entre terapeuta e paciente. Freqüentemente, o terapeuta terá uma idéia grosseira após uma sessão ou duas de quanto tempo levará para você alcançar as metas que você estabeleceu na primeira sessão. Alguns pacientes permanecem em terapia por um período breve de tempo, de 12 a 14 sessões. Outros pacientes que tem problemas de mais longa data podem escolher ficar em terapia por muitos meses. Inicialmente, os pacientes são vistos uma vez por semana, a não ser que estejam em crise. Tão logo estejam melhores, e pareçam aptos a reduzir a terapia, paciente e terapeuta poderiam concordar em tentar a terapia a cada 02 semanas, e depois a cada 03 semanas.

5. E quanto à medicação?

Quadros leve a moderado de ansiedade e depressão não requerem o uso de medicação, quadros mais intensos respondem melhor à combinação de medicamento mais psicoterapia.

REFERÊNCIAS:
– Beck A, Rush A, Show B, Emery G. COGNITIVE THERAPY OF DEPRESSION. Guildford Press, New York, 1979.

– Beck J. TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL. Teoria e Prática. 2° Edição – Porto Alegre ; Artmed, 2013.

Leonardo Alovisi Martins, Médico Psiquiatra, CRM 27614, com Especialização em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.

Passo Fundo – RS, dia 21 de novembro de 2016.

Em: 09/12/2016

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *